RESUMO
O
presente trabalho apresenta como proposta central uma análise da violência que
imperava no Norte de Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XX, (precisamente
entre 1910 e 1930) e os fatores condicionantes na formação de grupos violentos
daquele período. Entre os seus agentes, destacamos o “bandido social” Rotílio
de Sousa Manduca, visto ainda hoje por parte da sociedade como um herói que
lutava contra as desigualdades sociais sofridas por aquela população, explorada
por coronéis latifundiários. Estes se mantiveram no domínio econômico e
político devido a um sistema denominado “coronelismo”. Sendo este, mais um dos
fatores condicionantes para a formação de grupos violentos, tendo no fator
econômico outro grande aliado na região que buscamos como espaço referencial.
Ou seja, os municípios de Brasília de Minas e São Francisco ambos situados no norte
do Estado de Minas Gerais. Procuramos lançar mão de trabalhos já publicados por
pesquisadores, sociólogos, folcloristas e historiadores que deram uma importante
contribuição para o estudo da violência regional e formação do Banditismo
Social no Norte de Minas Gerais. As fontes que utilizamos para a elaboração
desta pesquisa foram: entrevistas, documentos paroquiais, uma vasta
bibliografia sobre o assunto, alem da obra literária “Grande Sertão: Veredas de
João Guimarães Rosa. Segundo alguns estudiosos da obra, Rosa havia se inspirado
em Rotílio Manduca para criar um de seus principais personagens o Zé Bebelo.
Para realizar a pesquisa visitamos algumas localidades como a região de Lapinha,
zona rural do município de Coração de Jesus – MG, onde Rosa esteve hospedado em
algumas fazendas da região enquanto criava sua obra. Buscamos junto aos
moradores, informações que nos levasse a descobrir a veracidade sobre a criação
daquele controvertido personagem de Grande Sertão: Veredas. Procuramos
compreender que fatores levaram bandoleiros criminosos a se tornar Capitães dos
Batalhões Patrióticos, exercendo influência na política coronelística no norte
de Minas, bem como na criação da literatura brasileira.
Marcos Veloso Ramos
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