quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA ORAL PARA A PRÁTICA DE LEITURA E ESCRITA


                                           Apresentação na Unimontes Montes Claros -MG
Pesquisa de Campo: Com Quilombola Borá

RESUMO
 É fundamental que a escola incentive a prática de contação de histórias para que a partir das mediações e questionamentos, os alunos conheçam que as histórias devem ser compartilhadas, estabelecendo relação com a memória, a “história oral” e a história escrita. Este artigo partiu da situação problema “de que maneira os gêneros literários utilizando a mídia impressa a partir da literatura oral podem contribuir com a prática social da leitura e da escrita dos alunos do 7º ano da Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso?”. Como objetivo geral, buscamos analisar como a história oral, por meio da produção da mídia impressa, pode contribuir com a prática da leitura e da escrita desses alunos. Inicialmente realizou-se uma pesquisa bibliográfica e em seguida uma pesquisa intervenção na referida escola, localizada na comunidade Remanescente Quilombola Borá, no Município de Brasília de Minas/MG. As principais atividades foram a utilização do cinema comentado com o filme: Narradores de Javé como material de apoio para a pesquisa de intervenção, a construção e leitura de textos literários a partir da história local; criação de painéis e de um livro, que permitiram a interação comunidade - escola na construção da literatura e do saber, despertando o gosto pela escrita e leitura e a valorização da comunidade, através da construção e desconstrução da micro-história como parte importante no desenvolvimento social e intelectual dos alunos e da comunidade.
Este estudo trata-se de uma pesquisa-intervenção sobre a utilização da história oral através da micro-história no processo de ensino-aprendizagem e socialização a partir da interação escola comunidade desenvolvido na Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso, localizada no Município de Brasília de Minas/MG.
Esta escola encontra-se situada na comunidade remanescente Quilombola Borá que distancia 24Km da sede do município. A comunidade tem entre 150 a 200 anos de fundação e seu território que antigamente era muito maior, hoje se encontra reduzido a lotes de posseiros, pois suas famílias não ocupam mais todo o seu território tradicional. Muitos dos atuais posseiros tiveram que vender suas terras por falta de oportunidade e incentivo para o cultivo e produção de subsistência.
A produção agrícola é baseada no plantio da mandioca, milho feijão e cana de açúcar. Dentre os principais problemas desta comunidade estão à falta d’água, já que a maioria dos riachos são perenes e na maior parte do ano ficam secos outro problema está relacionado a água para o consumo humano, pois esta é capitada através de bombas direto do rio Riachão sem nenhum tratamento, ficando a escola e a comunidade sob o risco de contrair doenças como as hepatites. A falta de alternativas de geração de renda também é outro grave problema para a região, pois uma parte significativa da comunidade precisa migrar sazonalmente para São Paulo, Paraná ou Sul de Minas para trabalhar no corte de cana e na colheita do café. As mulheres jovens, depois de completar o ensino fundamental vão para as cidades vizinhas para trabalhar como domésticas.
A comunidade Borá tem a escola como seu maior patrimônio, esta atende as comunidades que estão em seu entorno, Vereda da Onça, Riacho das Pedras, Vargem do Capinho e Cedro, sendo os alunos transportados por dois ônibus. A escola possui cerca de 210 (duzentos e dez) alunos frequentando as aulas regularmente do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, em dois turnos sendo, do 1º ao 5º ano no turno matutino e do 6º ao 9º ano no turno vespertino.
Possui 01 (uma) biblioteca, 01 (uma) sala para a equipe pedagógica, banheiros masculinos e femininos, 05 (cinco) salas de aula, pátio e cantina. No entanto, ainda faltam recursos como internet, filmadora, máquina fotográfica, telefone, copiadora, entre outros.
Seu quadro de funcionários costa de 16 (dezesseis) professores, 01 (uma) supervisora, 06 (seis) auxiliares de serviços gerais e 01 (um) coordenador.
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Para o desenvolvimento deste trabalho buscou-se então responder a problemática “de que maneira a história oral transformada em mídia impressa poderia contribuir com a prática social da leitura e da escrita dos alunos do 7º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso? E se esta mídia poderia fortalecer a interação da escola com a comunidade Remanescente Quilombola Borá.
Traçamos como objetivo geral analisar como a história oral por meio da produção da mídia impressa pode contribuir com a prática da leitura e da escrita. E como objetivos específicos buscamos averiguar as dificuldades encontradas pelos alunos nas produções orais e escritas; pesquisar sobre os mitos e as crenças que permeia o imaginário da comunidade Remanescente Quilombola Borá; identificar a importância da história oral na formação da identidade de uma comunidade tradicional, desenvolver junto aos alunos a produção da mídia impressa livro a partir das micro-histórias narradas, pela comunidade Remanescente Quilombola Borá.
Como público-alvo, foram escolhidos alunos do 7º ano do ensino fundamental, totalizando 28 (vinte e oito) alunos com faixa etária entre 11 (onze) a 13 (treze) anos
O desenvolvimento desta pesquisa possibilitará a este público ter maior acesso a mídia impressa e desenvolver habilidades para o estudo e a pesquisa, bem como a melhoria de sua prática educativa.
Como metodologia, buscamos desenvolver atividades práticas de construção de textos literários, a partir da história local, tendo o filme: Narradores de Javé como ferramenta de aprendizado para a pesquisa de intervenção investigando as histórias/contos/relatos pertencentes ao imaginário das famílias da comunidade; leitura e produção de textos; criação de painéis e de um livro a partir dos textos escritos e narrados pelos alunos a partir da história oral da comunidade. As aplicações das atividades ocorreram num período de 02 meses de 01 de agosto a 01 de outubro do ano de 2011.
A escolha por esse tema se justifica pela pouca oferta de livros de literatura na biblioteca da escola e por não haver outras mídias disponíveis que favoreçam a prática da pesquisa e leitura. Elevar a auto estima dos alunos e da comunidade ao torná-los co – autores do livro. Por acreditarmos também que é fundamental incentivar a prática de contação de histórias na escola e pela comunidade para que a partir das mediações e questionamentos, os alunos percebam que as histórias devem ser compartilhadas, estabelecendo relação com a memória, a “história oral” e a história escrita.

                                                                                                                      
                                                                                                                               Marcos Veloso Ramos.

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