Apresentação na Unimontes Montes Claros -MG
Pesquisa de Campo: Com Quilombola Borá
RESUMO
Este estudo trata-se de uma pesquisa-intervenção sobre a utilização da história
oral através da micro-história no processo de ensino-aprendizagem e
socialização a partir da interação escola comunidade desenvolvido na Escola
Municipal Joaquim Alves Cardoso, localizada no Município de Brasília de
Minas/MG.
Esta escola encontra-se situada na comunidade remanescente Quilombola
Borá que distancia 24Km da sede do município. A comunidade tem entre 150 a 200 anos de fundação e
seu território que antigamente era muito maior, hoje se encontra reduzido a
lotes de posseiros, pois suas famílias não ocupam mais todo o seu território
tradicional. Muitos dos atuais posseiros tiveram que vender suas terras por
falta de oportunidade e incentivo para o cultivo e produção de subsistência.
A produção agrícola é baseada no plantio da mandioca, milho feijão e cana
de açúcar. Dentre os principais problemas desta comunidade estão à falta
d’água, já que a maioria dos riachos são perenes e na maior parte do ano ficam
secos outro problema está relacionado a água para o consumo humano, pois esta é
capitada através de bombas direto do rio Riachão sem nenhum tratamento, ficando
a escola e a comunidade sob o risco de contrair doenças como as hepatites. A
falta de alternativas de geração de renda também é outro grave problema para a
região, pois uma parte significativa da comunidade precisa migrar sazonalmente
para São Paulo, Paraná ou Sul de Minas para trabalhar no corte de cana e na
colheita do café. As mulheres jovens, depois de completar o ensino fundamental
vão para as cidades vizinhas para trabalhar como domésticas.
A comunidade Borá tem a escola como seu maior patrimônio, esta atende as
comunidades que estão em seu entorno, Vereda da Onça, Riacho das Pedras, Vargem
do Capinho e Cedro, sendo os alunos transportados por dois ônibus. A escola possui
cerca de 210 (duzentos e dez) alunos frequentando as aulas regularmente do 1º
ao 9º ano do ensino fundamental, em dois turnos sendo, do 1º ao 5º ano no turno
matutino e do 6º ao 9º ano no turno vespertino.
Possui 01 (uma) biblioteca, 01 (uma) sala para a equipe pedagógica, banheiros
masculinos e femininos, 05 (cinco) salas de aula, pátio e cantina. No entanto,
ainda faltam recursos como internet, filmadora, máquina fotográfica, telefone,
copiadora, entre outros.
Seu quadro de funcionários costa de 16 (dezesseis) professores, 01 (uma)
supervisora, 06 (seis) auxiliares de serviços gerais e 01 (um) coordenador.
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Traçamos como objetivo geral analisar
como a história oral por meio da produção da mídia impressa pode contribuir com
a prática da leitura e da escrita. E como objetivos específicos buscamos
averiguar as dificuldades encontradas pelos alunos nas produções orais e
escritas; pesquisar sobre os mitos e as crenças que permeia o imaginário da
comunidade Remanescente Quilombola Borá; identificar a importância da história
oral na formação da identidade de uma comunidade tradicional, desenvolver junto
aos alunos a produção da mídia impressa livro a
partir das micro-histórias narradas, pela comunidade Remanescente Quilombola
Borá.
Como público-alvo, foram escolhidos
alunos do 7º ano do ensino fundamental, totalizando 28
(vinte e oito) alunos com faixa etária entre 11 (onze) a 13 (treze) anos
O desenvolvimento desta pesquisa possibilitará a este público ter maior
acesso a mídia impressa e desenvolver habilidades para o estudo e a pesquisa,
bem como a melhoria de sua prática educativa.
Como metodologia, buscamos desenvolver atividades
práticas de construção de textos literários, a partir da história local, tendo
o filme: Narradores de Javé como ferramenta de aprendizado para a pesquisa de
intervenção investigando as histórias/contos/relatos pertencentes ao
imaginário das famílias da comunidade; leitura e
produção de textos; criação de painéis e de um livro a partir dos textos
escritos e narrados pelos alunos a partir da história oral da comunidade.
As aplicações das atividades ocorreram num período de 02 meses de 01 de agosto
a 01 de outubro do ano de 2011.
A escolha por esse tema se justifica pela pouca oferta de livros de
literatura na biblioteca da escola e por não haver outras mídias disponíveis
que favoreçam a prática da pesquisa e leitura. Elevar a auto estima dos alunos
e da comunidade ao torná-los co – autores do livro. Por acreditarmos também que
é fundamental incentivar a prática de contação de histórias na escola e pela
comunidade para que a partir das mediações e questionamentos, os alunos
percebam que as histórias devem ser compartilhadas, estabelecendo relação com a
memória, a “história oral” e a história escrita.
Marcos Veloso Ramos.

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