quinta-feira, 16 de maio de 2013

Comunidade Quilombola Borá e Capão de Espinho 2013




Folia de Reis é um festejo de origem portuguesa ligado às comemorações do culto católico do Natal, trazido para o Brasil ainda nos primórdios da formação da identidade cultural brasileira, e que ainda hoje se mantém vivo nas manifestações folclóricas de muitas regiões do país. As variações são muitas, diferentes até mesmo numa única localidade. É uma das festas mais animadas que mistura folclore, cultura e religião tem seu início no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, prosseguindo até o dia 2 de fevereiro, sendo que na maioria das regiões encerra-se em 6 de janeiro, o dia de Reis consagrado aos três Reis Magos: Melchior, Baltazar e Gaspar.
Folia de Reis é tanto o nome da festa quanto o nome do conjunto de pessoas que compõe o cortejo. A Folia de Reis é composta por músicos tocando instrumentos, em sua maioria de confecção caseira e artesanal, como tambores (caixa), reco-reco, flauta e rabeca (espécie de violino rústico), cavaquinho, pandeiro, chocalho, triângulo, além da tradicional viola caipira e do acordeon, também conhecida em certas regiões como sanfona, gaita ou pé-de-bode.
Os personagens que compõem a folia somam em geral doze pessoas, todas trajando roupas bastante coloridas, sendo que dentre elas estão o mestre e contra-mestre, donos de conhecimentos sobre a manifestação e líderes dos foliões; além do palhaço, dos foliões e dos três reis magos.
Os foliões, geralmente homens simples e de origem rural ou interiorana, são os participantes da festa, dando exemplo grandioso através de sua cantoria de fé. Os foliões cumprem promessa de, por sete anos consecutivos, saírem com a Folia. Diz a lenda que quem não cumprir esses sete anos será castigado, e, geralmente, morre no fim do período que deveria cumprir.
Além dos músicos instrumentistas e cantores, o grupo muitas vezes contempla lendas e tradições regionais ou locais, com figuras folclóricas devidamente caracterizadas. Todos se organizam sob a liderança do Capitão da Folia, título este que também varia de acordo com a região, e seguem com reverência os passos da bandeira, cumprindo rituais tradicionais de inquestionável beleza e riqueza cultural.
Há uma organização das vozes em tons e contratons, durante a cantoria, o que leva a formação de um coro muito agradável aos ouvidos, mesmo que muitas vezes constituído de sons ininteligíveis. Os pedidos para serem recebidos e para receberem a esmola e a despedida são feitos nas musicas tiradas a frente de cada casa. A coordenação tem nomes diferentes em diferentes regiões. Em algumas, o Mestre, por sua vez, tem papel especial de iniciar o canto, que é feito em versos e de improviso, pedindo e agradecendo os donativos da casa visitada. Os outros componentes então repetem os versos, cada qual em sua voz, na cadência definida pelo Mestre, acompanhados pelos instrumentos que portam.
As canções são sempre sobre temas religiosos, com exceção daquelas tocadas nas tradicionais paradas para jantares, almoços ou repouso dos foliões, onde acontecem animadas festas com cantorias e danças típicas regionais, como catira, moda de viola e cateretê. Na minha infância cheguei a presenciar algumas apresentações de um tosco lundu incluído nas danças mostradas nas casas que os recebiam.
Ao som dos instrumentos musicais os foliões efetuam longas caminhadas levando a “bandeira”, um estandarte feito de madeira, pano e até de papelão ornado com motivos religiosos, à qual tributam especial respeito. A bandeira segue á frente, que ganhou estrofe em música popular
O propósito da folia não é o de levar presentes como a cultura atribui aos Três Reis Magos, mas de recebê-los (comida, bebida e esmolas) do dono da casa para finalidades filantrópicas, exceto, obviamente, as fartas mesas dos jantares e as bebidas que são oferecidas aos foliões e devoradas ali mesmo.
Em nossa casa e em alguns vizinhos, servíamos um lanche para o pessoal e dávamos uns trocados parta ajudar. Mas, o interessante mesmo era no dia seguinte ao que a folia de reis passava por ali, quando tentávamos repetir, a nosso modo, aquela manifestação coreográfica e religiosa. Conseguíamos algumas tintas e pintávamos rudes mascaras que fazíamos com as tampas das caixas de sapato. Arranjávamos algumas varas ou cabos de vassouras aos quais pregávamos algumas tampinhas de garrafa amassadas. Dançávamos desajeitadamente e praticávamos um cateretê exageradamente fajuto. Imitávamos também uma batida de bastões que mais se assemelhavam ao maculelê. Durante dois ou três dias das nossas férias, virávamos foliões e vivíamos a mais pura alegria. Era verdadeiramente um folia, ou melhor, fulia com u mesmo. Quanto à musica, nos prendíamos a uma simplificação que dizia mais ou menos:
“Olé de casa, olé de fora, oi quem nesta casa mora.
Santos Reis pede esmola mas não é por precisão.
Santos Reis pede esmola pra ver quem dá de bom coração.”

                                                                                                                      http://www.metro.org.br/sebastiao/folia-de-reis



Fulia de Reis Comunidade Quilombola Borá

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

VIOLÊNCIA E BANDITISMO SOCIAL: ROTÍLIO MANDUCA O BANDOLEIRO QUE FEZ E ACONTECEU NO NORTE DE MINAS GERAIS ENTRE 1910 A 1930.


                                                                          RESUMO
O presente trabalho apresenta como proposta central uma análise da violência que imperava no Norte de Minas Gerais, nas primeiras décadas do século XX, (precisamente entre 1910 e 1930) e os fatores condicionantes na formação de grupos violentos daquele período. Entre os seus agentes, destacamos o “bandido social” Rotílio de Sousa Manduca, visto ainda hoje por parte da sociedade como um herói que lutava contra as desigualdades sociais sofridas por aquela população, explorada por coronéis latifundiários. Estes se mantiveram no domínio econômico e político devido a um sistema denominado “coronelismo”. Sendo este, mais um dos fatores condicionantes para a formação de grupos violentos, tendo no fator econômico outro grande aliado na região que buscamos como espaço referencial. Ou seja, os municípios de Brasília de Minas e São Francisco ambos situados no norte do Estado de Minas Gerais. Procuramos lançar mão de trabalhos já publicados por pesquisadores, sociólogos, folcloristas e historiadores que deram uma importante contribuição para o estudo da violência regional e formação do Banditismo Social no Norte de Minas Gerais. As fontes que utilizamos para a elaboração desta pesquisa foram: entrevistas, documentos paroquiais, uma vasta bibliografia sobre o assunto, alem da obra literária “Grande Sertão: Veredas de João Guimarães Rosa. Segundo alguns estudiosos da obra, Rosa havia se inspirado em Rotílio Manduca para criar um de seus principais personagens o Zé Bebelo. Para realizar a pesquisa visitamos algumas localidades como a região de Lapinha, zona rural do município de Coração de Jesus – MG, onde Rosa esteve hospedado em algumas fazendas da região enquanto criava sua obra. Buscamos junto aos moradores, informações que nos levasse a descobrir a veracidade sobre a criação daquele controvertido personagem de Grande Sertão: Veredas. Procuramos compreender que fatores levaram bandoleiros criminosos a se tornar Capitães dos Batalhões Patrióticos, exercendo influência na política coronelística no norte de Minas, bem como na criação da literatura brasileira.

                                                                                              Marcos Veloso Ramos

A IMPORTÂNCIA DA LITERATURA ORAL PARA A PRÁTICA DE LEITURA E ESCRITA


                                           Apresentação na Unimontes Montes Claros -MG
Pesquisa de Campo: Com Quilombola Borá

RESUMO
 É fundamental que a escola incentive a prática de contação de histórias para que a partir das mediações e questionamentos, os alunos conheçam que as histórias devem ser compartilhadas, estabelecendo relação com a memória, a “história oral” e a história escrita. Este artigo partiu da situação problema “de que maneira os gêneros literários utilizando a mídia impressa a partir da literatura oral podem contribuir com a prática social da leitura e da escrita dos alunos do 7º ano da Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso?”. Como objetivo geral, buscamos analisar como a história oral, por meio da produção da mídia impressa, pode contribuir com a prática da leitura e da escrita desses alunos. Inicialmente realizou-se uma pesquisa bibliográfica e em seguida uma pesquisa intervenção na referida escola, localizada na comunidade Remanescente Quilombola Borá, no Município de Brasília de Minas/MG. As principais atividades foram a utilização do cinema comentado com o filme: Narradores de Javé como material de apoio para a pesquisa de intervenção, a construção e leitura de textos literários a partir da história local; criação de painéis e de um livro, que permitiram a interação comunidade - escola na construção da literatura e do saber, despertando o gosto pela escrita e leitura e a valorização da comunidade, através da construção e desconstrução da micro-história como parte importante no desenvolvimento social e intelectual dos alunos e da comunidade.
Este estudo trata-se de uma pesquisa-intervenção sobre a utilização da história oral através da micro-história no processo de ensino-aprendizagem e socialização a partir da interação escola comunidade desenvolvido na Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso, localizada no Município de Brasília de Minas/MG.
Esta escola encontra-se situada na comunidade remanescente Quilombola Borá que distancia 24Km da sede do município. A comunidade tem entre 150 a 200 anos de fundação e seu território que antigamente era muito maior, hoje se encontra reduzido a lotes de posseiros, pois suas famílias não ocupam mais todo o seu território tradicional. Muitos dos atuais posseiros tiveram que vender suas terras por falta de oportunidade e incentivo para o cultivo e produção de subsistência.
A produção agrícola é baseada no plantio da mandioca, milho feijão e cana de açúcar. Dentre os principais problemas desta comunidade estão à falta d’água, já que a maioria dos riachos são perenes e na maior parte do ano ficam secos outro problema está relacionado a água para o consumo humano, pois esta é capitada através de bombas direto do rio Riachão sem nenhum tratamento, ficando a escola e a comunidade sob o risco de contrair doenças como as hepatites. A falta de alternativas de geração de renda também é outro grave problema para a região, pois uma parte significativa da comunidade precisa migrar sazonalmente para São Paulo, Paraná ou Sul de Minas para trabalhar no corte de cana e na colheita do café. As mulheres jovens, depois de completar o ensino fundamental vão para as cidades vizinhas para trabalhar como domésticas.
A comunidade Borá tem a escola como seu maior patrimônio, esta atende as comunidades que estão em seu entorno, Vereda da Onça, Riacho das Pedras, Vargem do Capinho e Cedro, sendo os alunos transportados por dois ônibus. A escola possui cerca de 210 (duzentos e dez) alunos frequentando as aulas regularmente do 1º ao 9º ano do ensino fundamental, em dois turnos sendo, do 1º ao 5º ano no turno matutino e do 6º ao 9º ano no turno vespertino.
Possui 01 (uma) biblioteca, 01 (uma) sala para a equipe pedagógica, banheiros masculinos e femininos, 05 (cinco) salas de aula, pátio e cantina. No entanto, ainda faltam recursos como internet, filmadora, máquina fotográfica, telefone, copiadora, entre outros.
Seu quadro de funcionários costa de 16 (dezesseis) professores, 01 (uma) supervisora, 06 (seis) auxiliares de serviços gerais e 01 (um) coordenador.
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Para o desenvolvimento deste trabalho buscou-se então responder a problemática “de que maneira a história oral transformada em mídia impressa poderia contribuir com a prática social da leitura e da escrita dos alunos do 7º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Joaquim Alves Cardoso? E se esta mídia poderia fortalecer a interação da escola com a comunidade Remanescente Quilombola Borá.
Traçamos como objetivo geral analisar como a história oral por meio da produção da mídia impressa pode contribuir com a prática da leitura e da escrita. E como objetivos específicos buscamos averiguar as dificuldades encontradas pelos alunos nas produções orais e escritas; pesquisar sobre os mitos e as crenças que permeia o imaginário da comunidade Remanescente Quilombola Borá; identificar a importância da história oral na formação da identidade de uma comunidade tradicional, desenvolver junto aos alunos a produção da mídia impressa livro a partir das micro-histórias narradas, pela comunidade Remanescente Quilombola Borá.
Como público-alvo, foram escolhidos alunos do 7º ano do ensino fundamental, totalizando 28 (vinte e oito) alunos com faixa etária entre 11 (onze) a 13 (treze) anos
O desenvolvimento desta pesquisa possibilitará a este público ter maior acesso a mídia impressa e desenvolver habilidades para o estudo e a pesquisa, bem como a melhoria de sua prática educativa.
Como metodologia, buscamos desenvolver atividades práticas de construção de textos literários, a partir da história local, tendo o filme: Narradores de Javé como ferramenta de aprendizado para a pesquisa de intervenção investigando as histórias/contos/relatos pertencentes ao imaginário das famílias da comunidade; leitura e produção de textos; criação de painéis e de um livro a partir dos textos escritos e narrados pelos alunos a partir da história oral da comunidade. As aplicações das atividades ocorreram num período de 02 meses de 01 de agosto a 01 de outubro do ano de 2011.
A escolha por esse tema se justifica pela pouca oferta de livros de literatura na biblioteca da escola e por não haver outras mídias disponíveis que favoreçam a prática da pesquisa e leitura. Elevar a auto estima dos alunos e da comunidade ao torná-los co – autores do livro. Por acreditarmos também que é fundamental incentivar a prática de contação de histórias na escola e pela comunidade para que a partir das mediações e questionamentos, os alunos percebam que as histórias devem ser compartilhadas, estabelecendo relação com a memória, a “história oral” e a história escrita.

                                                                                                                      
                                                                                                                               Marcos Veloso Ramos.

Consciência Negra E. E.Sant'Ana. Brasília de Minas



domingo, 1 de abril de 2012

Políticas Públicas para as comunidades Remanescentes Quilombolas e Rurais.

O professor e Presidente da Associação Comunitária dos Moradores do Vale das Palmeiras. Marcos Veloso e sua esposa a Assistente Social Telma Ramos V. Mariano presidente do PRTB em Brasília de Minas – MG, juntamente com os demais presidentes de associações de pequenos produtores rurais, Suely Gonçalves da comunidade de Borá I, Donato da comunidade de Vereda da Onça, Anésio da comunidade do Cedro e José Antônio se reuniram no dia 25/03/2012 Domingo para discutir projetos de valorização do homem do campo com geração de trabalho e renda alem da sua cultura tradicional. Segundo o professor Marcos Veloso: “Podemos desenvolver projetos de melhoria da qualidade de vida dos pequenos produtores sem desvalorizar a cultura tradicional do nosso povo. Sertanejos, Quilombolas, Geraizeiros através de parcerias campo/cidade educação e cultura possibilitando a valorização de todos dentro daquilo quilo que cada um pode produzir”.



terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Com. Quilombola do Buriti do Meio no Carnaval de Brasília de Minas

A Comunidade Remanescente Quilombola do Buriti do Meio Participa do Carnaval de Brasília de Minas demonstrando a luta do povo negro pela Igualdade de Direitos e a preservação da Cultura Quilombola.